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"Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar,
mas não me tires o teu riso...
Não me tires a rosa, a lança que desfolhas,
a água que de súbito brota da tua alegria,
a repentina onda de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes
por ver que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas as portas da vida.

Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso
e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri,
porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma,
e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul,
a rosa da minha pátria sonora.

Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera ,
mas nunca o teu riso, porque então...
morreria."


(Pablo Neruda - "O teu riso")



Escrito por Lana às 15h01
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Lanamente...

 

 

Minha voz
não chega aos teus
ouvidos

Meu silêncio
não toca teus
sentidos

Sinto muito
mas isso é tudo que
sinto

(Alice Ruiz)



Escrito por Lana às 16h01
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